Segunda-feira, 29 de Agosto de 2005, ultima semana de férias passadas em repouso total, uma barriguinhas em final de tempo, todos os dias desde o dia 15 o desenrolar do dia decorria sempre da mesma forma, acordar, banho, praia do Monte, almoço no Pica, tarde na praia e regresso a casa… jantares em casa de amigos ou amigos em casa para jantar…
Regresso a casa… aqui os meus medos surgiam… todos os dias a “minha” barriginhas fazia questão de percorrer os Paredão e o caminho desde aí até casa “a penantes”… uff eram momentos dificeis para um pai pela primeira vez… ( e se cai? E se sente alguma dor? Se entra em trabalho de parto? ) falta de experiencia dizem voçês… agora já sei…
Chegamos a casa nessa célebre quarta-feira tomamos um banho e preparámo-nos para ir até casa de um amigo para uma churrascada…
– É hoje, amor… é hoje!! - diz ela para o meu reflexo no espelho.
– Sim, meu amor… é hoje… como ontém, ante ontem e na semana passada…Já te disseram que pelo caminho só na primeira semana de Setembro… Despacha-te, temos de ir…
A noite estava abafada e o vinho verde esta a cair como se fosse água da fonte…
O jantar terminou… enquanto esperávamos pelo café acendemos um charuto ( cubano claro, estavam á espera do que?).
Lá de baixo oiço sobre os sons que saiam das colunas – AMOR!!! Amooor!!!Vamos?
- Vamos? Mas vamos onde?Para casa? Ainda só são 11 horas…
Após refletir, pensei – Bom, tem de ser… a patroa está grávida e cansada, o passeio a pé faz lhe isto…
Lânguidamente, já com pena de não ter bebido um ou dois gins, encaminho-me para as escadas para ver uma cara em desespero e três mulheres a gritarem-me – MEXE-TE!!! Não vês que ela está cheia de dores???
Rotativas, sirenes, flashes ligaram-se na minha cabeça – Pânico, ânsiedade, euforia, tudo, tudo nesse momento.
Lá de cima ouvi risos e um deles a dizer – Vai andando… já lá vamos ter…
A correr desci as escadas e levei-a para o carro, a viagem até á MAC ( Maternidade Alfredo da Costa ) foi feita com um monte de perguntas disparadas em desespero:
-Estás bem? Doi-te muito? Tens contracções?Mas o que sentes? Queres que pare? Queres que abrande? Queres que acelere?
As respostas dela variavam entre suspiros, risos e – Não, Amor… – ou – Amor, não…
( amanhã continuamos)