Já passou algum tempo desde a minha ultima abordagem ao único assunto que criou alguma animação neste modesto blog, o estado da educação em Portugal.

O exame nacional do 9º ano, ou 3º ciclo, não sei como o querem chamar, na disciplina de matemática ,teve a melhor percentagem de notas positivas desde 2005, ano em que foi lançado o sistema de exames nacionais.

Em 2006 as negativas foram 63%, em 2007 72,8%, no corrente ano de 2008 os jovens obtiveram 44,9%.

Sem dúvida uma impressionante melhoria, no entanto há que ter em conta a suposta acessibilidade e simplicidade do dito exame em comparação com os anos anteriores.

Isto é o que tem sido dito, e se de facto estamos perante uma prova onde vários exercícios seriam acessíveis a alunos do 2º ciclo, então parece-me que estamos perante uma movimentação do nosso governo de com o intuito de fazer uma operação cosmética estatística para mostrar aos portugueses e mundo em geral o quanto o nosso país “é evoluído”.

Talvez tenha sido a forma mais fácil para a Ministra da Educação fazer boa figura, após toda a loucura mediática em que estivemos.

Terá sido para ajudar a moral dos professores a acharem que tem sido melhores?

Terá sido para facilitar a vida e preparar os nossos alunos melhor para o futuro?

O nosso secretário de Estado para a Educação, Valter Lemos, não está muito satisfeito com os resultados, pergunto me, se não estará a pensar que mesmo assim ainda era uma prova bastante difícil, e dai o seu desapontamento.

NOTA MENTAL : Exame do 9º ano deverá ser  igual ao do 1º Ciclo em 2009

No entanto toda esta situação faz pensar…

Acho que antes de pensarmos no que aconteceu deveria haver uma comparação directa entre as notas de cada aluno no exame e no resultado final destes anos de aprendizagem, desta forma seria muito mais conclusivo o resultado dos supostos exames.

Por outro lado, poderá ser avaliado o desempenho dos alunos e se as notas estarão de facto a ser coerentes ou “facilitadas”.

Quando a própria associação de professores de matemática diz que o exame foi fácil demais é lamentável e assustador.

Será o desempenho dos professores o suficiente? Serão os alunos incentivados á aprendizagem? Estarão os livros devidamente estruturados para o que é suposto cada aluno aprender?

Os únicos exames que fiz foram os da faculdade, e garantidamente se tivesse nas aulas e estudasse o suficiente teria nota positiva. Sei perfeitamente que quando faltei ás aulas, quando não pratiquei nem estudei o resultado foi negativo.

Sejamos honestos e realistas, na minha zona geográfica, poucos são os alunos que não precisam de explicações, os próprios professores encaminham os alunos para centros de estudo.

Tapar o sol com a peneira dos resultados dos exames não é a solução, serão estes resultados, de facto reflexo da aprendizagem? Estará o desempenho dos professores cujos alunos obtiveram nota negativa envolvida nestes resultados? Serão os alunos tão fracos e despreocupados com o futura, que é necessário baixar o grau de dificuldade das provas para mesmo assim quase metade não obter uma nota positiva?

Neste momento faltam incentivos escolares e didácticos aos alunos. Talvez as salas de aula tenham alunos em excesso.

Seria interessante criar salas com não mais de 12 ou 16 alunos, permitindo assim com toda a certeza uma maior atenção dos alunos e bem como acompanhamento dos professores.

Por outro lado estaríamos a garantir colocações para mais professores. Durante algum tempo criaríamos um movimento na construção civil ( motor da economia portuguesa), novos postos de trabalho com o surgimento de novas escolas ( serviços de limpeza, auxiliares…), nunca esquecendo os novos postos de trabalho que surgiriam indirectamente ( cafés, papelarias, transportes…).

Com uma visão simplicista e geral deixo vos aqui uma sugestão a considerar.

«Metade dos nossos alunos do 9º ano ainda tiveram negativa no exame de Matemática e dizer que a prova foi fácil faz com que qualquer português que já passou pela escola ache que há algo de estranho»,Valter Lemos Secretário de estado.